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IPO da Snowflake

Da esquerda para direita: cofundador Benoit Dageville, CEO Frank Slootman, cofundador Thierry Cruanes e CFO Mike Scarpelli

As ações de tecnologia voltaram a protagonizar os movimentos no mercado acionário americano. Entre as ações específicas, destaque para a oferta pública inicial (IPO) de ações da Snowflake, empresa de armazenamento de dados em nuvem, do Vale do Silício, na Califórnia, que fez sua estreia no mercado acionário no dia 16 de setembro, sob o símbolo “SNOW”, com o maior IPO da história entre empresas de software.

As ações da empresa, mais do que dobravam antes da estreia na Bolsa de Valores de Nova Iorque, após ter levantado US$ 3,4 bilhões na maior IPO, fazendo a alegria de diversos investidores, atingindo uma valorização de mais de 100% em seu primeiro dia de negociação. Seu valor de mercado superou os US$ 70 bilhões na quarta-feira do dia 16 de setembro que às 16:20h, os papéis da empresa já eram negociados a US$ 260, uma significativa alta de 1063% sendo que logo após o início das negociações, por volta das 13:45h, houve um boom de compras e as ações bateram a casa dos US$ 292.

A Snowflake, que foi apoiada pela Berkshire Hathway de Warren Buffett e pela firma de capital de risco Salesforce, vendeu 28 milhões de ações em seu IPO ao preço de US$ 120 por ação, bem acima da faixa projetada pelo mercado que ficava entre US$ 100 a US$ 110 e ainda maior do que a expectativa do início do mês, que girava entre US$ 75 e US$ 85.

A estréia da empresa na bolsa ocorre em meio a um forte movimento de novas listagens nos mercados de capitais nos Estados Unidos, depois que a pandemia de Covid 19 forçou muitas empresas a adiarem seus planos de abrir capital no início deste ano.

A Snowflake foi fundada em 2012 em San Mateo, na Califórnia por Benoit Dageville, Thierry Cruanes e Marcin Zukowski como um “armazém de dados construídos para a nuvem”. A empresa oferece um data lake virtual de fácil acesso entre provedores de nuvem como Amazon Web Services, Google Cloud e Microsoft Azure e os próprios programas e aplicativos dos clientes.

A empresa tem mais de 2 mil funcionários em mais de uma dezena de locais em todo o mundo, incluindo Estados Unidos, Europa e Ásia.

Numa rodada de financiamento privado anunciada em fevereiro, o valor de mercado da companhia foi de US$ 12,4 bilhões. Agora, o valuation da companhia é de US$ 33 bilhões, consolidando-a entre as grandes empresas de tecnologia dos EUA.

Esses números revelam grandes marcos, pois além de ser a maior abertura de capital do ano nos Estados Unidos, esse foi o maior IPO da história de uma companhia de software. Até então, esse posto era ocupado pela também americana VMware, que levantou US$ 957 milhões em sua oferta, realizada em 2007.

Segundo a CNN, o IPO da Snowflake puxa a lista de outras companhias consideradas “unicórnios” nos EUA, como o Airbnb, Palantir e a DoorDash, todas com expectativas de abrirem capital ainda este ano.

A empresa possui mais de 3 mil clientes, o dobro do registrado um ano atrás, segundo relatório entregue à Securities and Exchange Commission (SEC), o órgão regulador do mercado de capitais norte-americanos.
São 146 empresas que integram o Fortune 500.

No primeiro semestre, a companhia teve receita de US$ 242 milhões.
Entre os investidores da Snowflake estão Frank Slootman, CEO da companhia e fundos de investimentos como a Altimeter Capital, ICONIQ Capital, Redpoint Ventures, Sequoia e Sutter Hill.

A parceria com a Berkshire Hathway, de Warren Buffett surgiu após o anúncio de que o fundo comandado pelo magnata e a Salesforce iriam comprar US$ 500 milhões em ações em uma colocação privada após o IPO.

Como CEO e presidente do conselho, Slootman pode ganhar muito no IPO, embora a maior parte de sua participação na Snowflake inclua opções não adquiridas, conforme detalhado no prospecto S-1.

Excluindo as opções não adquiridas, Slootman detém cerca de 5,3 milhões de ações na companhia, uma participação no valor de US$ 1,4 bilhão avaliada após a abertura do dia 16. Isso se soma aos estimados US$ 394 milhões em vendas de ações com taxas que Slootman acumulou durante sua passagem de 6 anos como CEO e presidente da ServiceNow. Com o empenho do primeiro dia da Snowflake, Slootman agora tem um patrimônio líquido de US$ 1,8 bilhão, com muito mais por vir, caso ele permaneça por tempo suficiente para suas opções restantes serem adquiridas.

O maior vencedor individual do IPO da Snowflake é o cofundador Dageville, que permanece na empresa como diretor de tecnologia. Excluindo as opções não adquiridas, a participação de 3,5% de Dageville, significa que ele detém 8 milhões de ações da empresa, o que significa uma participação de US$ 2 bilhões a um preço de ação de US$ 258.

O ex CEO da Snowflake, Bob Muglia, também alcançou status de bilionário pelas suas ações na companhia. Muglia agora possui uma participação de 1,7% na empresa após entrar em um acordo com a Berkshire Hathway de Warren Buffett para vender metade de sua posição a US$ 120 por ação no IPO. Muglia fez uma estimativa de US$ 340 milhões com taxas com a venda.

Embora as ações que ele vendeu já tenham mais do que dobrado de valor desde então. Somada à sua participação restante avaliada em US$ 1 bilhão a um preço de ação de US$ 258, o patrimônio líquido de Muglia é de US$ 1,4 bilhão.

Muitos outros funcionários e investidores estão prontos para lucrar com os enormes pagamentos da rápida valorização da Snowflake na Bolsa de Valores de Nova York, caso mantenha esse valor ou mesmo fique perto dele.

Com as 49,5 milhões de ações da Snowflake no IPO, a Sutter Hill Ventures agora está em uma posição de quase US$ 13 bilhões ao preço de US$ 258. O investidor Mike Speiser, diretor da respectiva gestora de venture capital, investiu em 2012, cerca de US$ 200 milhões na Snowflake e viu sua fatia de 20,3% das ações fechar no dia 16 avaliada em mais de 12,6 bilhões.

É uma multiplicação de mais de 60 vezes o capital investido e esse lucro tem sido comparado com o que algumas gestoras de venture capital tiveram com o IPO do Facebook, em 2012.

Outros como Altimeter Partners, ICONIQ, Redpoint Ventures, Sequoia e Dragoneer também podem lucrar da casa dos bilhões.

Fontes: Neofeed, Fusões e aquisições, Forbes, CNN Brasil, Isto é Dinheiro, Terra, einvestidor, Jornal Econômico, G1

Sobre o autor

Hilda Campanholi

Graduada em Publicidade e Propaganda, gosta de criar conteúdos relevantes que gerem valor na vida das pessoas.
Estuda e pesquisa assiduamente marketing digital, empreendedorismo e negócios em geral.
Busca compreender os diversos nichos de mercado para poder falar e escrever com propriedade.

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