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Startup por trás das bikes do Itaú mostra como bicicletas compartilhadas sobrevivem à pandemia

Tomás Martins, CEO da Tembici

O foco na sustentabilidade ambiental e financeira do negócio dentro desse mercado de bicicletas compartilhadas, ajudou a Tembici, a sobreviver no último ano e ainda se destacar em meio à crise, deixando para trás grandes concorrentes, como a Grow (dona da extinta bike Yellow).

Apesar de uma queda anual no número de corridas, no acumulado de 2020, a Tembici alcançou métricas relevantes e ainda lançou a frente de bicicletas elétricas, novidade que pode atrair um novo público para a startup de bike sharing.

A startup está por trás dos programas de bicicletas compartilhadas Bike Sampa e Bike Rio, além de iniciativas em Buenos Aires e Santiago. A Tembici alcançou a marca de 50 milhões de corridas pela parceria Bike Itaú

Tomás Martins, CEO da Tembici, afirma que a empresa vinha em crescimento forte até a primeira quinzena de março de 2020. Na virada para abril, a startup ofereceu gratuitamente, para quem nunca tinha usado, seu sistema de bicicletas compartilhadas. “Mesmo assim, tivemos uma queda forte em utilização no segundo trimestre de 2020. As viagens de deslocamento a trabalho caíram muito e dois perfis foram os principais: Os profissionais de linha de frente e entregadores”, diz Martins.

O CEO afirma também que a Tembici usou esse mesmo momento para melhorias que elevaram a rentabilidade. “Desenvolvemos uma tecnologia de internet das coisas para as bicicletas. O monitoramento remoto, inclusive com acionamento de alarme e desligamento do motor no caso das bicicletas elétricas, diminuiu nossos índices de perda”, diz.

A margem bruta da empresa quadruplicou na comparação entre 2019 e 2020, alcançando cerca de 60%. Com a queda no isolamento que ocorreu no segundo semestre, a bicicleta compartilhada passou a ser mais considerada como alternativa de transporte público.

A pandemia trouxe novos usuários para experimentar as bicicletas, segundo Martins. Em outubro, a companhia registrou o mesmo patamar de viagens visto no começo de 2020.

O negócio acabou fechando o ano de 2020 com mais de 15 milhões de corridas, sendo que em 2019, foram 20 milhões, porém, apesar da queda no número de viagens, atribuída ao isolamento social, outros indicadores da Tembici melhoraram.

O crescimento registrado na comparação entre 2019 e 2020 foi de 70% na receita por usuário. A porcentagem de retenção expandiu de 67% para mais de 80% dos usuários. A companhia também registrou pela primeira vez, um EBITDA positivo. “Por fim, tivemos 15% de aumento na receita total na comparação entre o último trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020. Considerando que um percentual da nossa base ainda nem voltou ao deslocamento pela cidade, estamos otimistas para o futuro”, diz Martins.

A receita da Tembici vem tanto de patrocínios quanto dos próprios usuários, sendo que em patrocínios, a parceria mais conhecida é com o Itaú. Em 2017, a startup assumiu as operações de bicicletas compartilhadas do banco nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Entre 2017 e 2019, expandiu o número de corridas em dez vezes. Em setembro de 2020, a Tembici também lançou um projeto-piloto de bicicletas elétricas em parceria com o Itaú e o iFood. São 1.000 e-bikes no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Na frente dos usuários, a estratégia da Tembici é colocar um preço que se aproxime do visto no transporte público, por exemplo, o plano básico do Bike Sampa custa R$29,90 mensais e permite quatro viagens diárias. No caso das bicicletas elétricas, há uma cobrança adicional de R$4,00 a cada 15 minutos de viagem.

Acerca do EBTIDA positivo da Tembici, Martins alega que o modelo de estações fixas, o investimento na qualidade das bicicletas e a comunicação com entidades públicas e privadas foram responsáveis pelo feito.
“Apostamos na qualidade do produto e do serviço. Esse esforço traz garantia de receita: as pessoas confiam que terão uma bicicleta em diversas estações e que ela estará em bom estado. Também traz redução de despesas, porque o custo de manutenção é menor em uma bicicleta de maior qualidade e que não está solta na rua. Também temos parcerias fortes com as prefeituras, desenhando onde colocar as estações e com patrocinadores”, afirma Martins.

Ainda segundo Martins, a Tembici ajudou a reduzir a emissão de CO² em mais de 4 mil toneladas, ao focar também na sustentabilidade ambiental, social e de governança que ganhou muita força ao longo de 2020.

“A pauta de ESG também dá muito impulso ao nosso mercado. Não é sobre fazer dinheiro, mas saber como você o faz. Nosso usuário já tinha essa preocupação, além da análise de custo-benefício. Agora, vemos como o ESG permeia a cadeia de investidores e passa a educá-los sobre negócios que também geram benefícios diretos ou indiretos para a sociedade”, diz Martins.

No último ano, a Tembici captou um aporte de US$47 milhões. O aporte foi liderado pelos fundos Redpoint eventures e Valor Capital Group e completado pelo IFC (braço financeiro do Banco Mundial) e Joá Investimentos (hoje parte da Igah Ventures).

Em 2012, a Tembici busca chegar a mais de 25 milhões de corridas anuais e aumentar a receita em mais 60%, na comparação com 2020. O primeiro semestre ainda terá um nível razoável de isolamento, que deve cair no segundo semestre. A bicicleta elétrica também atrairá novos usuários, focados em distâncias longas, relevos diferentes e menos esforço no trajeto. A startup afirma deter 70% de participação no mercado latino-americano de bicicletas em estações fixas. Esse mercado deve chegar a mais de 300 mil bicicletas até 2026. Hoje, a Tembici tem 16 mil bicicletas. “Estimamos que nosso negócio ainda pode crescer cerca de 15 vezes”, diz Marins.

Fundada em 2010, a Tembici, uma startup, surgiu a partir do Trabalho de Conclusão de Curso de um dos fundadores, Maurício Villar, que colocou bicicletas compartilhadas dentro da Universidade de São Paulo.

No início, a empresa focou em projetos para iniciativa privada (condomínios residenciais e comerciais). Em 2017, o negócio ganhou escala, quando a Tembici adquiriu uma concorrente que era quase 10 vezes o seu tamanho, a Samba Transportes e passou a operar o serviço de aluguel de bicicletas do banco Itaú.

Segundo Martins: “O que entendemos é que esse é um negócio de longo prazo. As pessoas estão acostumadas a se locomover através do automóvel há mais de 70 anos. Mudar esse hábito não é algo que vai acontecer do dia para a noite, mas tem um potencial gigantesco”, afirma.

Hoje, a Tembici fatura mais de R$100 milhões por ano com 16 mil bicicletas distribuídas não apenas nas principais capitais do Brasil, como também em Buenos Aires e em Santiago.

Fontes: Infomoney 1, 2,3

 

Sobre o autor

Hilda Campanholi

Graduada em Publicidade e Propaganda, gosta de criar conteúdos relevantes que gerem valor na vida das pessoas.
Estuda e pesquisa assiduamente marketing digital, empreendedorismo e negócios em geral.
Busca compreender os diversos nichos de mercado para poder falar e escrever com propriedade.

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