Comércio Editorial

Arezzo anuncia compra da Reserva em operação de R$ 715 milhões

Alexandre Birman, da Arezzo, e Rony Meisler, da Reserva, uniram as marcas. Após a conclusão da transação, a Arezzo&Co criará um novo braço, a AR&Co, que terá Meisler como CEO

Alexandre Birman, da Arezzo e Rony Meisler, da Reserva, uniram as marcas.
Após a conclusão da transação, a Arezzo & Co criará um novo braço, a AR&CO, tendo Meisler como CEO.

Em fato relevante publicado na manhã do dia 23 de outubro, o grupo de calçados Arezzo, que reúne as marcas: Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans, anunciou a compra da Reserva, companhia carioca, fundada em 2004 pelos empresários Rony Meisler e Fernando Sigal.

O valor da respectiva negociação foi de R$ 715 milhões, sendo que desses R$ 715 milhões pagos pela Arezzo, R$ 225 milhões serão em dinheiro e o restante em ações, o que arrancou elogios de analistas devido sua estratégia de sair “do pé para o corpo todo” através da aquisição que teve um valor bem atrativo, fazendo com que o mercado financeiro reagisse muito bem ao movimento. Os papéis ordinários da Arezzo disparam 16%, fechando o dia cotados a R$ 61.

O acordo prevê um aumento de capital da Vamoquevamo, que tem participação na Tifere, dona da marca Reserva, com a Arezzo, subscrevendo a totalidade das ações emitidas.

A transação que contempla as seis marcas do grupo: a própria Reserva, Reserva Mini, Oficina Reserva Go, EVA e INK, depois de concluída, ampliará o portfólio da Arezzo & Co para 13 marcas e consolidará a estratégia da companhia de se tornar uma house of brands.

Além de calçados e bolsas, a Arezzo & Co passará a comercializar itens de moda masculina, feminina e infantil, incluindo roupas e acessórios. A movimentação também possibilitará uma ampliação de 3,5 vezes o mercado endereçável da companhia, já que a empresa expandirá seu público alvo e passará a vender o look completo aos seus clientes, ao melhor conceito dos pés à cabeça.

Em teleconferência, Alexandre Birman, presidente da Arezzo, disse que a compra da Reserva vai abrir novas avenidas de faturamento para a companhia. O mercado de calçados e bolsas, na qual a empresa atuava até agora é estimado em R$ 11,6 bilhões ao ano. O segmento de vestuário e acessórios para as classes A e B tem valor bem maior, de R$ 41 bilhões.

Aline Peli, diretora de relações com investidores, ressaltou que a aquisição vai ser feita sem necessidade da companhia contratar mais dívidas. Isso ocorre porque do total de R$ 715 milhões, quase R$ 500 milhões serão pagos em ações, com os acionistas da Reserva tornando-se minoritários no grupo Arezzo. A participação dos novos sócios na companhia será de 8,7%.

Mediante a efetivação da operação, o atual sócio fundador, Rony Meisler e os executivos e sócios minoritários da Reserva, Fernando Sigal, Jayme Nigri e José Alberto da Silva, continuarão a atuar na qualidade de administradores da Reserva e estarão envolvidos no desenvolvimento pretendido pela empresa por meio da AR&CO, braço exclusivo de vestuário e lifestyle do grupo Arezzo & Co.

AR&CO tem diversos significados para os fundadores e para o novo momento vivido por ambas as companhias. Combinada as iniciais de Arezzo & CO e Reserva, de seus líderes, Alexandre Birman e Rony Meisler, representa novos “ARes” para ambas as empresas, agora unificadas e traz a simbologia de criar asas para “voAR” ainda mais alto.

Em relatório, os analistas do Credit Suisse destacaram a notícia como positiva para a Arezzo. Eles ressaltam que, apesar do desafio de operar a marca de vestuário, quatro pontos merecem ser destacados:

Em primeiro lugar, a indicação clara da Arezzo de perseguir sua estratégia, ou seja, expandir seu portfólio de marcas com o objetivo de ser uma “casa de marcas”, consolidando o mercado de moda de alta renda;

Em segundo lugar, os analistas apontam o excelente histórico de desenvolvimento, consolidação e gestão de marcas da companhia. A empresa tem feito isso nos últimos anos, construindo e fortalecendo ainda mais sua posição de liderança no setor de calçados, apontam, lembrando ainda que os principais executivos da Reserva estarão à frente das operações;

Além disso, a aquisição pode criar espaço de crescimento para a Arezzo & Co no mercado nacional, diversificando seu mercado endereçável, principalmente em função da sua participação já bastante forte em calçados femininos no mercado de alta renda;

Por fim, há um potencial importante de sinergias a serem capturadas.

Em relatório, Luiz Guanais e Gabriel Savi, analistas do BTG Pactual, afirmaram que a transação é positiva principalmente por ampliar em quase quatro vezes o mercado potencial da Arezzo, tanto pelo modelo de negócios distinto da Reserva quanto pela sua força no mercado de calçados.

Para o analista da Necton, Gabriel Machado, o movimento de incorporação da Reserva é acertado. Ele ressalta a posição saudável de caixa da empresa e diz que a Arezzo está com “bom apetite”. Nesse sentido, o lançamento oficial do marketplace do grupo é outro caminho importante para cumprir a ambição da companhia de se tornar um ecossistema de moda do segmento premium.

A transação leva para dentro da Arezzo 78 lojas da Reserva (incluindo 32 franquias), além de estar presente em 1,5 mil multimarcas e deve ajudar o grupo a acelerar as vendas online, que já responde por cerca de um quarto das suas receitas.
Em 2019, o Grupo reserva faturou R$ 400 milhões.

“A operação de incorporação da reserva tem como grande motivação o capital humano, a força de sua marca e o potencial para expandir muito além do seu core, algo que será peça fundamental na consolidação da plataforma de moda da Arezzo & Co. Criaremos, sem dúvida, um grande ecossistema de negócios”, explica Alexandre Birman.

Rony Meisler comenta: “Foi em meio à pandemia que eu e o Alexandre começamos a sonhar juntos, motivados pela excelente reação dos nossos negócios. Eu sempre falo que foguete não dá ré, por isso, desde 2006, quando começamos vendendo de porta em porta, movidos pela vontade de usar a moda e a tecnologia para cuidar e melhorar a vida das pessoas, a reserva foi despontando como uma das marcas mais relevantes do varejo de vestuário e lifestyle do país e a gente nunca parou de buscar inovação. Somos um grupo de jovens com vontade de pensar e fazer diferente em um mercado tradicional. Tenho um baita orgulho de que a combinação entre a Arezzo & Co e o Grupo Reserva já nasce como o maior house of brands do mercado brasileiro”.

A Reserva ainda trará novas competências digitais que serão aplicadas no Grupo Arezzo & Co como um todo. As empresas também unirão forças no tema ESG, já que, desde sua fundação, a Reserva tem as pessoas como pilar central de sua estratégia, além de uma forte preocupação com questões da sociedade, sendo uma das primeiras companhias de moda no Brasil a obter a certificação B Corp.

Fontes: Infomoney, Fusões e Aquisições, Diário do Comércio, Isto é Dinheiro, Forbes, Terra(1) , Terra (2), IG, Startupi, FFW, einvestidor, Veja

Sobre o autor

Hilda Campanholi

Graduada em Publicidade e Propaganda, gosta de criar conteúdos relevantes que gerem valor na vida das pessoas.
Estuda e pesquisa assiduamente marketing digital, empreendedorismo e negócios em geral.
Busca compreender os diversos nichos de mercado para poder falar e escrever com propriedade.

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