Comércio Editorial

Natura investe em startup de beleza Singu

Nesse semestre, a Natura anunciou investimentos na Singu, plataforma digital brasileira voltada para serviços de beleza em domicílio, o respectivo valor da transação não foi revelado.

A startup trabalha com delivery de serviços de beleza e bem-estar e foi criada pelo mesmo fundador da Easy Taxi, Tallis Gomes.

A transação foi estruturada pelos escritórios BVA Advogados, Cescon Barrieu Advogados e BMA Advogados, após meses de negociações.

A startup possui um aplicativo que conecta profissionais de beleza e bem-estar a usuários finais. O marketplace concentra 200 mil clientes ativos e 7 mil prestadores de serviços.
Através do acesso à plataforma é possível obter serviços de unhas, cabelos, massagens, depilação, incluindo a masculina, entre outros, tudo à domicílio.

Por esse modelo de negócio, a Singu é responsável por aumentar em até três vezes a renda média dos profissionais da beleza e bem-estar, criando um mecanismo de ascensão social, onde, ao contrário dos salões convencionais, que cobram dos profissionais até 60% do serviço prestado, a Singu recolhe de 35 a 40%.

A combinação entre essas duas empresas resultará na oportunidade de uma nova linha de receita extremamente robusta, através de um novo canal de vendas, pelo qual milhares de consultoras de beleza Natura e artistas da Singu poderão gerar renda, oferecendo seus produtos e serviços via plataforma.

“Viramos o braço de serviços de beleza da Natura. Ao mesmo tempo, adicionamos clientes e consultoras da empresa ao nosso marketplace”, afirmou Gomes.

A Natura &Co informou ter uma base de mais de 200 milhões de consumidoras e de 4,6 milhões de consultoras no começo deste ano.

A estimativa da Singu é que esse mercado movimente R$ 50 bilhões por ano no Brasil.

A Singu fatura na casa de dezenas de milhões de reais mensalmente.

Desde a fundação do negócio, há 50 anos, a Natura &Co se manteve ligada à natureza, seus princípios, essências e matérias-primas e agora, quer deixar bem claro também, a ligação de seus negócios com a tecnologia e todo o universo digital, acelerando transformação e ampliando investimentos em tecnologia que vão de startups a consultorias.

Esse investimento dará continuidade nesse projeto de jornada digital da Natura, além de proporcionar a aceleração no processo de expansão da Singu no país, que foi iniciada em julho, mês que a startup passou a operar em Brasília.

Tallis Gomes, CEO e fundador da Singu comenta: “Temos um alinhamento de valores ímpar com a Natura. Para mim, que sou neto de uma ex-consultora Natura, que usou a renda proveniente dos produtos para pagar a minha educação, é praticamente um conto de fadas me juntar à empresa, nos tornando assim, o braço de serviços da Cia de beleza mais admirada do mundo para juntos construirmos a maior empresa de serviços de beleza do mundo”.

Gomes ainda complementa: “As sinergias permitem que tanto a Natura quanto a Singu, criem linhas adicionais de receita, além de colocar a Natura na vanguarda da transformação digital brasileira, dando uma aula de Gestão 4.0 para todas as outras listadas”.

Segundo Gomes, dezenas de milhares de serviços de beleza e bem-estar são prestados por mês. Os prestadores desses serviços poderão agora complementar a renda ao oferecerem cosméticos Natura. Da mesma forma, as consultoras da gigante da beleza poderão passar pelo treinamento da Singu e começarem a prestar serviços.

O fundador da Singu ainda ressalta: “Temos uma sinergia clara, por conta de uma mesma proposta de social selling”.
A entrada no marketplace inclui checagem de histórico criminal, avaliação presencial e capacitação em atendimento, em procedimentos de biossegurança e em padrão de serviço (como quantas demão de esmalte devem ser passadas).

Esse padrão garante escala da solução e recorrência dos consumidores, segundo o fundador. Mais de 90% dos usuários contratam serviços pela Singu mais de uma vez no mês. O LTV/CAC, relação que explica quanto o consumidor gasta na plataforma em relação ao seu custo de aquisição, chega a 3,4 após o primeiro mês de uso. O uso da base de clientes e consultoras da Natura deve reduzir ainda o custo de aquisição de usuários.

Em 2017, Tallis Gomes foi eleito pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) um dos jovens empreendedores mais inovadores do mundo.

Após a aquisição da centenária Avon, a Natura se tornou uma das maiores companhias do planeta no setor de higiene e beleza.
Sob o novo conceito, a companhia vê o negócio como um canal importante para o uso da marca pelas clientes, já que a rede prestará os serviços com os produtos da empresa e também para transformar as profissionais em representantes da marca.

A pandemia veio para mudar ou, assumir e apostar de vez no modelo de social selling para muitas empresas, independente de seus nichos e com o segmento da beleza não seria diferente uma vez que a própria cliente consumidora passou, mais do que nunca, a solicitar os serviços de estética e bem-estar no conforto da sua casa, mudando também a maneira que suas consultoras trabalham. Há 50 anos suas representantes precisavam bater de porta em porta para fazer apresentações e vendas dos produtos às suas clientes, hoje as representantes Natura é uma influencer, com acesso aos potenciais clientes da marca através do mundo digital.

A versão de negócio em lojas franqueadas foi iniciada a partir de duros questionamentos que a empresa enfrentou sobre a estrutura de vendas, calcada na representante da marca.

Com a fase pandêmica, a empresa pôde averiguar o novo modelo de negócio se transformar no que há de mais moderno dentro do varejo. “O que era antiquado, virou vanguarda”, diz com muito orgulho o presidente da companhia para o Brasil e América Latina, João Paulo Ferreira.

Ferreira ressalta: “Pretendemos mostrar que somos a Amazon, o Facebook e o Google do setor de higiene e beleza, tudo ao mesmo tempo. Há cinco décadas atuamos como uma rede social. Só que durante muito tempo, isso teve de ser feito de forma offline, pois o mundo digital ainda não existia. Mas criamos essa marca contando nossa história e de nossos produtos por meio de nossas consultoras, que hoje são 4,6 milhões (quando considerada a força de vendas Avon). Sabemos fazer isso melhor que qualquer um, pois sempre fizemos e isso vai ficar cada vez mais claro”, diz.

Ainda, segundo Ferreira: “O investimento na Singu abre uma nova avenida de serviços em nossa jornada digital, que fortalecerá ainda mais a relação entre as consultoras de beleza e suas clientes. Estamos avaliando a melhor forma de ampliar as soluções digitais em nosso modelo de negócios para proporcionar as melhores experiências de consumo e conexão com nossos produtos, serviços e propósitos, por meio da combinação da venda direta tradicional com os meios online, como a plataforma desenvolvida pela Singu”, completa.

Ainda neste ano, a Natura viu suas ações terem uma forte alta na bolsa. O valor de mercado da companhia ultrapassou a marca histórica de R$ 60 bilhões.
Esse impacto foi associado ao debate que causou uma grande repercussão devido a campanha para o dia dos pais que contou com a presença de vários influenciadores, incluindo o ator transgênero, Thammy Miranda e seu filho Bento.

Fontes: Exame, Pegn, Startupi, Suno Research, Abevd

Sobre o autor

Hilda Campanholi

Graduada em Publicidade e Propaganda, gosta de criar conteúdos relevantes que gerem valor na vida das pessoas.
Estuda e pesquisa assiduamente marketing digital, empreendedorismo e negócios em geral.
Busca compreender os diversos nichos de mercado para poder falar e escrever com propriedade.

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